AS NOVAS FORMAS DA PROSTITUIÇÃO

Em tempos de confinamento arranjei uns minutos para escrever algumas das minhas reflexões. Tenho vindo a notar que nas últimas décadas as pessoas encontraram formas “modernas” de branquear condutas menos aceitáveis. Da minha observação ao mundo que me rodeia, noto que temos vindo a “importar” novas tendências culturais, que salvo exceções primam pela decadência dos valores que julgávamos adquiridos na nossa cultura lusitana.

Anda por ai uma “estirpe” de homens e mulheres que se dedicam a relacionamentos abertos com base em trocas materiais. Vulgarmente conhecidos como “Sugar Daddy” (homens) e “Sugar Daddie” (mulheres) são pessoas com alguma capacidade financeira que se aproveitam de mulheres e/ou homens mais novos (Sugar Babbies) para troca de encontros íntimos por viagens, presentes ou qualquer outra vantagem material.

No fundo, com maior ou menor descrição, trata-se de uma transação comercial com regras bem claras; uma parte compra e outra parte vende-se.  Na prática o “Sugar” só tem que pagar (seja mesadas, prendas, viagens, compras, etc) para manter um conjunto de encontros – ou uma relação aberta –  com uma determinada pessoa; satisfazendo assim os desejos de ambos. O/A “sugar” obtém assim satisfação sexual, enquanto que o/a jovem recebe contrapartidas materiais produto desses “encontros”.

Este fenómeno é transversal, desde menores, adolescentes até octogenários; há de tudo um pouco; o que manifestamente não há é decoro e vergonha.

Em boa verdade esta nova forma de “relacionamentos” não passam de prostituição numa versão mais “discreta”.

A mãe deste pecado chama-se “consumismo” e tal como qualquer outra dependência (alcoolismo ou toxicodependência por exemplo) as pessoas “consumidas pelo desejo” não olham a meios para atingir fins. Regra geral são desejos “imediatos” alimentados por modas sazonais. Não creio que haja muitas diferenças entre uma prostituta que vende o corpo para comprar droga, de uma insuspeita donzela de boas famílias e boas morais que vende o corpo para, por exemplo, comprar um telemóvel topo de gama. Julgam estas “almas” que o telemóvel topo de gama lhes confere estatuto no seu círculo social.

Perguntava Nicolau Maquivel (inspirado no poera romano Ovídeo): “Os fins os meios ?“. O uso desta célebre questão deriva do recurso a expedientes desonestos para a obtenção de um determinado fim, mesmo que seja legítimo.

É ainda profundamente questionável onde está a moral, dignidade pessoal, e até amor próprio das pessoas que, ora se sujeitam a comprar, ora se sujeitam a vender-se, em nome de “luxos consumistas” ?

O jornalista Nelson Marques do respeitado Jornal Expresso escreveu uma excelente reportagem sobre este tema, que podem ver aqui:

REPORTAGEM “AS NOVAS CORTESÃS”

Depois de ter lido esta reportagem, descobri algo ainda mais aterrador, é que pelos pelos vistos as relações sexuais nem são “grande espingarda”, dado que, segundo a reportagem esses “Sugar Daddys” (homens) e “Sugar Daddies” (mulheres) afinal são uma desilusão na cama … Percebe-se agora que por algum motivo pagam para ter sexo, no fundo são uns seres incapazes, uns frustrados que provavelmente nunca amaram nem foram amados.

No dicionário “Sugar” significa doce, mas o que aqui se retrata não é propriamente “doce” … Atrevo-me a dizer que seria bem amargo aos olhos de uma mãe/pai que soubesse que um/a filho/a se teria vendido desta forma.

Update: 25-01-2021 @ 13:30

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